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quarta-feira, 23 de julho de 2014

O tapa ainda dói

Parece que é a hora da Globo/Sportv revidar 

Antes de tudo, quero deixar bem claro que eu também sou contra a escolha de Dunga como novo técnico da Seleção. Assim como meu amigo Brendon já escreveu aqui, acho que a reformulação da Seleção passa por mudanças muito mais profundas do que a mudança da comissão técnica. Mas o que os canais de Roberto Marinho estão fazendo com o cara é, no mínimo, exagerado.

Meus canais de esportes favoritos são ESPN e Sportv, passo 90% do meu tempo, dedicado à TV, assistindo a esses dois canais e suas variações.

A diferença de tratamento entre os dois é gritante, a ESPN faz questão de prestar um serviço para o seu telespectador, mostrando o que Dunga fez de ruim e de bom, na sua primeira passagem pela Seleção, ontem, inclusive, PVC, que teve problemas com o treinador e com seu fiel escudeiro dentro de campo, o volante Felipe Melo, estava mostrando a evolução do time treinado por Dunga, ao longo da sua passagem, mesmo sendo declaradamente contra a escolha do treinador.

Pelo lado platinado da força, é só ataque. Em grande parte da programação o canal Sportv faz questão de expor apenas os pontos negativos da passagem do capitão do tetra no comando da Seleção. Presta um desserviço ao telespectador, escolhendo cuidadosamente comentaristas, convidados e crônicas que só falem mal do atual treinador.

Fica claro que o "tapa" que Dunga deu na cara de Escobar, uma babaquice da parte do treinador, e a opção de não dar privilégios para nenhuma emissora, acertadíssima por parte dele, ainda doem, e muito, na cara da queridinha do Brasil.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A relação entre futebol e religião

Para muitos, o futebol é apenas um esporte de espetáculo vazio de conteúdo. Já dizia o ditado: "o futebol é o ópio do povo". Para mim, o futebol é uma religião, quem sabe a maior do mundo, e os times são verdadeiras divindades. No relativo vazio espiritual do mundo contemporâneo, muita gente substituiu as antigas religiões pelos clubes de futebol. E eu sou uma delas.

Como um bom 'religioso' e apaixonado por esse esporte sempre frequentei o estádio, templo máximo dessa religião, principalmente para assistir meu clube de coração. Nele vivenciei o paraíso das grandes vitórias, e também o inferno das duras derrotas. Vi na maioria das vezes meu time ser massacrado e humilhado. Presenciei a queda do Bahia da série A do Campeonato Brasileiro para a série C. Também vi o descaso de uma diretoria que conseguia transformar o purgatório num verdadeiro inferno, após não alcançar o acesso à série B do futebol nacional. Foi duro! O tricolor viveu momentos dificílimos e quase decretou falência, mas os milhões de fiéis da divindade da Terra do Dendê lutaram para levar o Bahia ao seu devido lugar. Mudou a diretoria, saiu Petrônio e entrou Marcelo Guimarães Filho, porém o sofrimento continuou e os torcedores começaram a pôr em xeque essa tal divindade. Durante três anos na série B sofremos muito e tudo indicava a uma apostásia (renegação de uma religião ou renúncia à uma fé), porém à medida que a situação se complicava, os torcedores passaram a se unir ainda mais.

Apesar de todas as dificuldades, o retorno a série de elite veio após o elo criado entre os torcedores e jogadores, em 2010. Entretanto, os resultados na série A e as inúmeras denúncias de irregularidades fez crescer ainda mais o descontentamento com MGF e sua cúpula. Com muita luta e suor, a antiga diretória caiu e assim fez surgir um clube muito mais transparente e com cara de vencedor, inclusive vencendo o último campeonato baiano com muita tranquilidade. Assim posso concluir dizendo que voltamos de maneira apoteótica a lutar pela hegemonia do estado, porém vale citar o historiador e pesquisador Hilário Franco Jr: "De fato, o futebol é o sistema religioso autônomo e coerente de representações, crenças e práticas, é antes mosaico constituído de peças de variadas procedências. Ele não propõe uma visão transcendental do mundo, um futuro melhor ao seus seguidores. Isto é impossível, pois a vitória ininterrupta de um deus provocaria a extinção de outros e, por conseguinte, a do próprio vencedor". Ou seja, desejamos sempre a soberania de nosso time e a destruição do rival, mas precisa-se dele para que a existência da própria divindade adotada faça sentido. Enfim, posso concluir afirmando que o futebol é sim uma religião, e o Bahia é uma verdadeira divindade.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sem surpresas

A CBF anunciou hoje o novo coordenador técnico das seleções de base e profissional, trata-se de Gilmar Rinaldi, ex-goleiro de São Paulo e Flamengo, atualmente empresário de diversos jogadores e agente fifa. 

Parece que a entidade, "governada" por dois sujeitos que não costumam conhecer o significado da palavra honestidade e democracia realmente ainda não entendeu que o futebol Brasileiro, não só a seleção bem como todos os clubes, necessitam urgente de uma reciclagem, de um reparo em sua organização daqui em diante. 

"Apostar" que um empresário que não tem o carinho de quase nenhum Brasileiro e que trabalha da forma como trabalha, possa dar algo de produtivo ao nosso futebol é como dar um tiro no próprio pé(coisa que eles estão acostumados a fazer).  Essa escolha só vai abrir ainda mais espaço pra que a seleção passe a ser usada apenas como uma vitrine de jogadores, e não mais como um time que representa uma pátria que ama o esporte.  Essa postura dos atuais dirigentes da entidade não surpreende, afinal, o que esperar de um "presidente" que tem o costume de afanar medalhas de jovens jogadores em comemorações? Ou de quem foi preso recentemente pela Polícia Federal envolvido em esquema de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha? 

Não é só pelos 7x1 pela Alemanha dentro de casa, não é por 3 copas seguidas fracassando, não é por não ter nenhum clube numa semi final de libertadores depois de 23 anos, não é por um futebol de baixa qualidade e pela escassez de craques revelados em nosso futebol, e sim pela dignidade de um futebol pentacampeão mundial, pelo passado que revelou grandes craques como Leônidas, Friendenrich, Didi, Vavá, Garrincha, Pelé e tantos outros que nós fariam enumerar uma lista extensa aqui. 

O Marin e o Del Nero desrespeitam o povo brasileiro e sua história de amor com o futebol quando fazem vistas grossas para o problema pelo qual passamos, mas isso já era esperado, afinal, como podemos confiar em gente que esteve diretamente ligada à ditadura e que fez o que esses dois já fizeram? 

O futebol Brasileiro  caminha a passos largos para uma tragédia ainda maior, e nós torcedores não merecemos isso! É preciso uma reestruturação urgente de toda essa cadeia, desde a base até o profissional, desde os estaduais até o Brasileirão, desde as federações de cada estado até a CBF, e com pessoas novas, com idéias novas, que possam sugar o máximo possível de quem tem dado aula de futebol e organização em suas ligas pelo mundo, e que tenha a coragem e ousadia que os alemães tiveram após 2002, de se reestruturar, pra anos depois, conquistar uma copa aqui em nossa casa. 

Por Brendon Hilário